30/09/2015

O findar de um dia, a reflexão sobre a vida e uma xícara de café - Coluna Alves


   
Por Juliana Alves

     O sol já havia se escondido no horizonte quando os pés, mesmo cansados, gritavam estrondosamente pelas escadas do prédio. Era uma espécie de aviso que anunciava, de forma quase sagrada, a chegada dela ao seu local de sossego.

     A simples ação de encaixar a chave na fechadura desencadeava um verdadeiro redemoindo dentro bolsa. O calor das mãos parecia agir sobre os vestígios de poeira que lá se misturavam ao batom vermelho e outras tantas coisas, provocando movimentos giratórios enlouquecedores.

     Os incontáveis minutos perdidos, assim como o saco dos palavrões, já faziam parte daquele ritual que, ironicamente, se encerrava com o último giro na maçaneta e um agradecimento a Deus. O ponta pé, naquele pedaço de madeira retangular erguida sobre os seus olhos, era um escudeiro fiel. E quem a conduzia para o lado de dentro daquelas quatro paredes, de forma quase heroica, todos os dias.

     Mal os pés iniciavam o cafuné no tapete da sala, ela já se jogava loucamente entre os braços coloridos da velha poltrona de couro. Nesse momento, fazia questão de desvelar todo o corpo, jogando para bem longe, tudo aquilo que lhe sufocava, inclusive o sutiã - seu inimigo mortal naquela hora.

     Sem qualquer vestígio habitando a sua pele, ela caminhava lentamente até o banheiro. Lá, abria, sem medo, a torneira do chuveiro... não tinha qualquer preocupação. E, ao contrário da porta fechada, a água que caía provocava calmaria, tanto no corpo como na alma. Era, sem dúvidas, o melhor momento do dia...

     Fechava os olhos como se o tempo parasse naquela hora. Se permitia sonhar, algo que, dificilmente, conseguia fazer quando estava sobre a própria cama. Nas perdidas vezes em que abria os olhos, gostava de observar atentamente o movimento de despedida que a água ensaboada fazia ao passar pelas curvas do seu corpo, se embrenhando na escuridão que se escondia por baixo da tampa do ralo.

     A comparação com a vida real era inevitável. Talvez estivesse perdendo muito tempo ensaboando oportunidades. Quem sabe, algumas, nem precisassem ser lavadas? Os sonhos, pareciam desaparecer frente às dificuldades de realizá-los. Ou estavam sendo jogados para debaixo do ralo?

     Aos poucos, a água, agora limpa, ia desaparecendo. E o corpo, exalando o perfume e o frescor da limpeza. Exibindo a pureza e a beleza de sua alma feminina.

     Saiu do banheiro ainda molhada. Enquanto caminhava pelo corredor, à procura da toalha, observava atentamente os pingos que caiam no chão e que encharcavam a passagem, marcando o caminho que seus pés perseguiam. Novamente, se reportou à vida real e logo percebeu que o equilíbrio era algo importante para evitar determinadas quedas, mas, também, conseguiu compreender que, quando esperamos pelos caminhos perfeitos, corremos o risco de não sairmos do lugar, porque os pingos que demarcam a passagem não são eternos e, a qualquer momento, podem evaporar.

     A toalha é encontrada. Como de costume, lhe abraça o corpo. Segue em direção a cozinha. Uma xícara de café é requentada no micro-ondas. Ela não se importava com o fato de saber se era sobra da correria matinal, só queria esquentar o corpo de alguma forma, nem que fosse com alguns goles daquele café que, já não era mais tão saboroso...

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     Que bom retomar os escritos aqui, no Blog. Espero que o texto possa agradar a tod@s vocês. Beijão.
Tony Ferr

Sou Tony Ferr e amo o que faço. Tenho 23 anos, ainda! Sou escritor apaixonado e blogueiro por vocação! Amo romances de época e contemporâneos, falando de amor está na minha estante! A música e a pintura também fazem parte de mim.

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